Nenhum iniciado e nenhum líder de coven promete nada. A única coisa que o caminho espiritual, principalmente a bruxaria, ensina e faz aflorar a todo momento é aquilo que as pessoas são. Mais cedo ou mais tarde, toda a neurose, toda a feiura, tudo o que for sistematicamente escondido vai aparecer. A maioria das pessoas acha muito embaraçoso ser como são, estar onde estão; elas entram para um coven, um templo ou uma ordem esotérica, na esperança de que alguém lá dentro invente uma alternativa para toda a sujeira, dissimulação, mentira. Elas esperam que alguém lhes diga: "Eu vou lhe arrumar uma máscara nova, é só você começar a usá-la".
Então essas pessoas começam a fingir o que não são e imaginam que as outras pessoas as verão como pessoas diferentes por usarem o disfarce daquilo que gostariam de ser, mas na verdade nenhum iniciado pode apresentar nenhuma promessa bonita e colorida. O que essas pessoas procuram é por saídas miraculosas do caminho em que estão. Isso não existe, não há nenhuma placa na estrada dizendo: "Disneylância, logo ali!"
O que as pessoas começam a perceber é que não existe nenhum lugar para onde possam correr e se esconder. Em um verdadeiro aprendizado, as pessoas percebem todo mecanismo mesquinho, egoísmo e fingimento que alimentam o tempo todo, no aprendizado verdadeito. A grande maioria continua apenas fingindo, tentando racionalizar a própria situação para se protegerem e assim satisfazerem seu ego.
É interessante que quando essas pessoas acham que estão trabalhando para seguir adiante, para progredir e crescer, na verdade estão andando para trás, tentando se garantirem e se preencherem. As pessoas tem milhares de mecanismos de defesa; eles surgem das leituras que fazemos, dos conhecimentos que acumulamos, dos sonhos que sonhamos. Mas se a busca é real, então surge um momento em que a pessoa tem que se perguntar:
"O que realmente significa espiritualidade? Será que ela é apenas a tentativa de tentar ser religioso? Será que é ser devoto e bondoso? Ou será que é o desejo de saber mais que os outros?" Depois do tempo em um coven, geralmente após um ou dois anos (ou meses para alguns), o descontentamento se abate sobre os falsos buscadores, porque toda tentativa de mudar o tom de voz, falar manso e parecer esperitual, tende a desabar.
Depois de algum tempo essas tentativas artificias de se parecer espiritual começam a ser esquisitas, desajeitadas, ridículas demais. Esses padrões de comportamento, que essa gente pretendia tornar um hábiro ou uma segunda natureza, estabelecem a confusão dentro delas.
Me parece que nessa hora pouquíssimas pessoas são honestas o suficiente para perguntar ao seu sarcedote: "O que é que faço agora?" e então a neurose e o descontentamento se acentuam. Nada mais se encaixa e essa gente não consegue estabelecer uma ligação com os ensinamentos. Tentar entrar de assalto na espiritualidade colecionando padrões de comportamento, maneiras doces de falar, pensar, se comportar, tudo isso não passa de uma imensa coleção de imbecilidades que essa gente tenta impor a elas mesmas. A verdadeira iniciação nasce da entrega.
Poquíssimas pessoas estão realmente dispostas a abrir mão de toda imbecilidade, neurose, doença mental que acumulam durante a vida. Quando alguém realmente abrir mão e se tornar disposto a renunciar a tudo isso, então a iniciação verdadeira acontece.
Do contrário, a única coisa que uma pessoa assim arrastará pela sua vida a fora, será um título mentiroso e irreal. E isso é verdadeiramente a maior mentira que alguém pode viver.
Conventiculo Strix Alba Lvnae

