Por ser um evento astronômico, o Solstício de Inverno é celebrado em datas móveis ano após ano - ele acontece entre os dias 20 e 24 de junho no hemisfério sul e entre os dias 20 e 24 de dezembro no hemisfério norte.
É um sabá menor que marca o argue do inverno e, por ser o período de maior escuridão (a noite do solstício de inverno é a noite mais longa do ano), temos pouquíssima luminosidade solar - é o poder solar declinando dando lugar à escuridão.
É quando o hemisfério em referência recebe a menor incidência de luz solar - o sol atinge seu ponto mais baixo no horizonte e as temperaturas caem consideravelmente (se é o dia mais curto com a noite mais longa, então a escuridão prevalece).
Yule marca o meio da estação - chamado também de "meio do inverno - midwinter".
Temperaturas baixas e dias nublados permitem que a natureza, em geral, entre em um tipo de hibernação (época de descanso e refazimento).
Os antigos, com grande conhecimento astronômico, sabiam que logo após o solstício, os dias ficariam mais longos e as noites mais curtas. Após a noite do solstício de inverno, a escuridão vai dando lugar à claridade e, consequentemente, os dias vão ficando mais longos novamente. É a escuridão que vai cedendo lugar à luz, que gradativamente vai se fortalecendo.
É a celebração do nascimento da criança da promessa - a criança divina que é a própria personificação do deus de chifres, o deus renascido.
Para incentivar a volta do sol, do seu calor, sua luz e seu poder fertilizador, é uma tradição muito antiga queimarmos uma tora na lareira - a tora de Yule (Yule long) - e enfeitemos portas e janelas com visco, folhas de pinheiro e azevinho.
Depois de Yule, inicia-se a fase crescente do ano (fase de crescimento, expansão, revitalização) que se estenderá até Litha, o solstício de verão.
Tora de Yule - Yule Long
Ainda existe a antiga tradição onde toda família sai à procura da tora que será queimada na lareira em Yule, não pode ser qualquer madeira. É uma grande festa que começa alguns dias antes da queima - a tora precisa estar seca e devidamente preparada.
As festividades natalinas e suas origens no paganismo
Sempre lemos que o mundo ganhou o natal da igreja católica, e esta por sua vez, o recebeu do paganismo, ou que o natal é a cristianização do Yule.
O que são as luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração? São símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na árvore cósmica da vida? Pesquisando sobre esse assunto, encontramos várias explicações. Mas uma que nos pareceu bem interessante foi que quando o frio intenso do inverno desfolhava todas as árvores, era um costume pagão enfeitá-las para atrair o "espírito da natureza" novamente, e pedir que elas brotassem, frutificassem e voltassem à vida. Além dos enfeites, eles colocavam várias oferendas aos pés das árvores (principalmente do pinheiro - uma árvore resistente aos rigores do inverno), o que também, pode ter dado origem ao costume de oferecer presentes no natal.
Então, a tradição de decoar árvores de natal é um costume que se desenvolveu dos bosques de pinheiro associados à grande deusa?
A tradição de usar pinheiros como árvores de natal, é fruto de uma antiga herança dos primitivos cultos de adoração às árvores. Encontramos esses cultos em quase todos os povos, culturas, raças e crenças (germânicos, celtas, nórdicos, romanos, gregos, etc).
Os antigos pagãos associavam suas divindades e alguns acreditavam que elas realmente habitavam nelas e, por sua razão, algumas eram tidas como sagradas. Temos vários exemplos: para os druidas, podemos citar o carvalho; para os egípcios, temos a palmeira; para os romanos, temos os abetos enfeitados com cerejas negras para as comemorações da saturnália; os chineses tinham o costume de enfeitar as catacumbas com pinheiros; para os povos nórdicos, temos o abeto sagrado de Odin, etc.
Mas por que o pinheiro é o representante "oficial" da árvore de natal? Se pesquisarmos, vamos encontrar várias explicações e dente elas temos:
- Pode ser pelo ser formato triangular. O triângulo, desde os períodos paleolíticos e neolíticos, foi adotado como um símbolo fálico. O falicismo é o culto ao ligan (pênis) e ao yoni (vulva). Desde a pré-história o falo possui uma dimensão sagrada como o doador da vida e a vulva, como o seu receptor;
- Alguns associam o pinheiro à imortalidade, longevidade, regeneração e renascimento. Existem relatos da ligação do pinheiro à ressurreição desde os tempos da mesopotâmia, no mito de Ninrode e de Semírames;
- O formato triangular da região pubiana é associado à deusa Vênus (Afrodite) - por isso o nome "monte de vênus", símbolo de fertilidade;
- Na mitologia grega, as árvores eram utilizadas para reverenciar os deuses. Representavam a evolução e a elevação do homem e eram consideradas como "intermediárias" entre o céu (sua copa conífera apontava para o alto), a terra (seu tronco) e o submundo (suas raízes). Por isso, a escolha do pinheiro: aquele que aponta para o céu.
Curiosamente, na Itália, o lugar do Papai Noel é, muitas vezes, tomado por uma bruxa chamada Befana (Epifania).
Befana voa nas redondezas na décima segunda noite depois do natal, em sua vassoura, trazendo presentes para as crianças merecedoras através das chaminés.
Befana é uma bruxa que presenteia as crianças que se comportam bem durante o ano, para aquelas que não se comportaram, ela colocava um "carvão" dentro das meias que eram penduradas nas lareiras. Ela voa pelos céus montada em uma vassoura, bode ou burro, carregando um saco cheio de doces e guloseimas.
O "dia da Epifania - dia de Befana" é celebrado em 06 de janeiro (décima segunda noite depois do dia 25 de dezembro - uma data cheia de simbolismos na bruxaria Italiana e do leste europeu).
Coincidentemente, é também o dia dos três reis magos, onde eles ofertavam presentes ao menino Jesus - mitologia cristã.
Wica Gardneriana - Manifesto Gardneriano
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